sábado, 4 de julho de 2015

Ele só sabe amar em tranquilidade. Uma forma de sossego bem vinda ao cruzar a rua, por exemplo. Ele não sabe amar de forma exaltada e violenta. Uma expressão de reviravolta a tudo que o cerca. Ama quieto. Ama curioso e tranquilo. E esse amor se exprime numa paz de espírito ora repousada, ora em movimento, indo do peito a cabeça lentamente e todos os dias. E é isso que o torna bom nisso. Ele só sabe amar no meio das palavras, na conversa, no ouvir e ser ouvido. Mais que uma questão de educação, ele acredita - assim como o poeta - que é na escuta que o amor começa. Nos tempos de guerra, é necessário reparar no outro de uma forma mais profunda, mais minuciosa também e perceber onde é que o amor nasce no outro. Ele só sabe amar em tranquilidade. No ouvir e se fazer ser ouvido. Em comunhão. Afinal o poeta estava mesmo certo sobre o amor: "e é na não-escuta que ele termina"



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